Junto ao meu amigo Arthur Macedo, nos aventuramos no Suiá Miçu em busca de toda a variedade oferecida por esse misterioso afluente do grande Xingu. Além dos famigerados trairões, um dos alvos principais da nossa pesca era os tucunarés do xingu, os Cichla Meliniae ou Tucunaré.

Local conhecido por grandes exemplares, que possuem uma força incrível, este tipo de tucunaré é sempre muito visado por nós pescadores esportivos, pois é bruto, e proporcionalmente um dos mais fortes da espécie.

Logo nas primeiras abordagens atras deste brigão percebemos que os tucunas estavam bem manhosos, pareciam que estavam se escondendo de nós, ou de algo, e tínhamos algumas ações isoladas, quase que somente para nos mostrar que ali estavam.

Tucunaré do Xingu

De cara percebemos que tal fato podia estar relacionado ao aumento da atividade dos trairões, peixes que convivem e caçam em locais parecidos, especialmente em baias e lagos. Nos primeiros que apareceram nas nossas zaras, percebemos que tinham sido atacados por trairões, o que nos deixava ainda mais desconfiados.

Aquela máxima da pesca com artificiais não estava se aplicando, os horários que costumam ter o pico de ações, como de manhã cedo, e bem à tardinha, não nos trouxeram bons resultados para os tucunarés, e como nos dois primeiros dias se repetiu a dificuldade, somado ao fato de recém ter passado uma frente de friagem, resolvemos trocar a nossa abordagem, e apostar nos horários de sol mais forte.

Tucunaré do Xingu

É preciso estarmos atentos aos indícios que o rio nos mostra, e experimentarmos as possibilidades, assim encontramos a melhor circunstância para termos boas jornadas.

Embora não tenhamos conseguido abundância em capturas, nossa decisão nos traz bons resultados, pois com a diminuição da atividade dos trairões, os tucunas apareciam mais fácil, e isso se percebia na atividade dos lagos, com o sol forte do entorno do meio dia, era possível ver lambaris sendo espreitados em meio aos paus.

Cichla Meliniae

Essa aposta foi para nós exitosa, e conseguimos alguns exemplares de ótimo porte sob intenso calor, e ainda perdemos alguns muito grandes, pois em meio a pauleira não é nada fácil segurar o bicho bruto, e algumas vezes só sobrou a isca grudada num pau.

Nesta jornada a isca que se mostrou mais eficiente foi a zara, com trabalho um pouco mais cadenciado, tendo também algumas capturas com popper e hélice. Mesmo com peixe mais manhoso as iscas de meia água não trouxeram bons resultados.

Cichla Meliniae

Mais uma vez fica aquela lição, é preciso experimentar, é preciso trocar as técnicas, insistir, e buscar outras alternativas, pois somente assim conseguimos transformar os dias mais duros de pesca. A pescaria é isso, um aprendizado constante, por isso nunca desista, busque soluções, e tenha ótimas fisgadas.

 

Texto: Guilherme Monteiro (Colaborador da Revista Pesca & Companhia e Pro Team Pesca Pinheiros)

 


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