Guilherme Monteiro conta como foi pescar tucunarés debaixo de sol forte.

Eu e meu amigo Arthur Macedo nos aventuramos no Suiá Miçu em busca de toda a variedade oferecida por esse misterioso afluente do grande Xingu. Além dos famigerados trairões, um dos alvos principais da nossa pesca era os tucunarés do Xingu, os Cichla Meliniae.

Local conhecido por grandes exemplares, que possuem uma força incrível, este tipo de bocudo é sempre muito visado por nós pescadores esportivos, pois é bruto, e proporcionalmente um dos mais fortes da espécie.

Tucunarés e trairões dificultando nossa missão

Logo nas primeiras abordagens atrás deste brigão, percebemos que os tucunas estavam bem manhosos, se escondendo de nós ou de alguma outra coisa, e tomando algumas atitudes isoladas, quase que somente para nos mostrar que ali estavam.

De cara percebemos que tal fato podia estar relacionado ao aumento da atividade dos trairões, peixes que convivem e caçam em locais parecidos, especialmente em baias e lagos. Nos primeiros que apareceram nas nossas zaras, percebemos que tinham sido atacados por trairões, o que nos deixava ainda mais desconfiados.

Aquela máxima da pesca iscas com artificiais não estava se aplicando. Os horários que costumam ter o pico de ações, como de manhã cedo e bem à tardinha, não nos trouxeram bons resultados para os tucunarés.

Nos dois primeiros dias se repetiu a dificuldade, somado ao fato de recém ter passado uma frente de friagem, resolvemos trocar a nossa abordagem e apostar nos horários de sol mais forte.

Aqui vale o recado: é preciso estarmos atentos aos indícios que o rio nos mostra e experimentarmos as possibilidades, assim encontramos a melhor circunstância para termos boas jornadas.

Tucunaré pescado debaixo de sol forte.

Melhores resultados debaixo do sol forte

Embora não tenhamos conseguido abundância em capturas, nossa decisão nos trouxe bons resultados. Com a diminuição da atividade dos trairões, os tucunarés apareciam mais fácil e isso se percebia na atividade dos lagos.

Com o sol forte do entorno do meio dia, era possível ver lambaris sendo espreitados em meio aos paus. Essa aposta foi para nós exitosa, conseguimos alguns exemplares de ótimo porte sob intenso calor e ainda perdemos alguns muito grandes, pois em meio a pauleira não é nada fácil segurar o bicho bruto.

Algumas vezes, ainda, só sobrou a isca grudada num pau.

Devolvendo tucunaré na água debaixo de sol forte

E a isca mais eficiente para pescar tucunarés debaixo do sol foi…

Nesta jornada, a isca que se mostrou mais eficiente foi a zara, com trabalho um pouco mais cadenciado, tendo também algumas capturas com popper e hélice. Mesmo com peixes mais manhosos, as iscas de meia água não trouxeram bons resultados.

Mais uma vez fica aquela lição: é preciso experimentar, trocar as técnicas, insistir e buscar outras alternativas, pois somente assim conseguimos transformar os dias mais duros de pesca.

A pescaria é isso, um aprendizado constante, por isso nunca desista, busque soluções, e tenha ótimas fisgadas.

Texto: Guilherme Monteiro (Colaborador da Revista Pesca & Companhia e Pro Team Pesca Pinheiros)

 


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