Guilherme Monteiro e Jatuarana recém-fisgada.

Prima mais velha da Matrinchã, a Jatuarana é um peixe amazônico bastante raro em águas brasileiras. Sempre tive o desejo de capturá-la, pois é um peixe muito arisco e incomum.

Ainda é possível pescar Jatuaranas e sermos surpreendidos pelo seu tamanho e força em locais como o Rio Verde, afluente do Guaporé que faz a divisa do Brasil com a Bolívia. Em meio à exuberante serra Ricardo Franco, nas proximidades do histórico município de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), encontrei o assunto de hoje.

Como pescar Jatuarana

Sua preferência é por corredeiras e, assim como com os Apapás, a época ideal para capturar essa braba Brycon é durante o período das águas.

O Rio Verde, por si só, é um espetáculo da natureza. Água de cor esmeraldina translúcida, que corre da serra. Beleza para onde olharmos, e ainda muito preservado, pois está ao lado dos limites do parque nacional boliviano Noel Kempff Mercado, uma imensa reserva natural onde a fauna e a flora prosperam intactas.

Guilherme Monteiro e Jatuarana recém-fisgada.

Para pescar Jatuaranas, utilizei as iscas de meia água com barbela pequena, que nadam entre meio e 1 metro de profundidade com recolhimento bem rápido e toques de ponta de vara, quase como se estivesse pescando os tigres das águas do prata.

Ao longo de um dia de expedição, conseguimos quatro excelentes capturas, entre 3 e 6 quilos. Subimos a partir de sua foz no Guaporé cerca de uma hora e meia, até uma cachoeira que não conseguimos transpor de barco.

É possível pescar Jatuarana com iscas naturais, como tuvira e minhoca, e a força desse peixe impressiona qualquer um. Ao bater numa isca em meio às águas rápidas, a impressão que temos é que pegamos um peixe de couro na linha, dado a capacidade de tomar linha.

Seus pulos espetaculares são a certeza de que a Jatuarana está fisgada, e por se tratar de um peixe extremamente arisco, é preciso apoitarmos e esperamos um pouco para bater.

Beto Monteiro com Jatuarana.

Vale muito a pena

 

Esse peixe raro e forte vale muito a pena para ter em nosso currículo. Consegue ser ainda mais esportivo que a parente Matrinchã.

Eu tenho a Jatuarana guardada na memória. Espero a oportunidade de estar mais uma vez frente a frente com esse desafio e poder ter em minhas mãos outra vez essa beleza de peixe, forte e linda, como as águas do Rio Verde.

Guilherme Monteiro com Jatuarana.

Texto: Guilherme Monteiro (Colaborador da Revista Pesca & Companhia e Pro Team Pesca Pinheiros)

 


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