A Amazônia possui uma imensa variedade de peixes esportivos, e uma espécie até certo ponto comum, mas muito esportiva e brigona são as cachorras largas. Peixe de águas rápidas, cara de mau e comportamento doido, as vampironas também chegam a atingir enormes tamanhos, e sua voracidade é ímpar, seja para atacar uma artificial, ou mesmo um pequeno peixe vivo ( as vezes nem tão pequeno, rsrs ).

Reservar um momento da pescaria para ir atrás delas vale muito a pena, independente do peixe alvo em nossas excursões amazônicas. Essa espécie também está presente com grandes exemplares na bacia do Tocantins, e eu sempre fui um apaixonado pelas dentuças.

Recentemente, junto ao amigo Arthur Macedo, fomos reportar as belezas do rio Suiá Miçu, com o foco nos também dentuços trairões, e as grandes cachorras lá estavam nos esperando, para viver também enormes emoções, em duas técnicas distintas para capturá-las, iscas artificiais de meia água, com equipamento mais leve, e peixes vivos com tralha mais pesada.

O local mais característico a buscarmos as vampiras são os rebojos em meio a perais de rio, podendo também em bocas de afluentes e locais de ceva encontrarmos algumas bem abusadas. Ao iniciar nossa jornada de uma semana no Suiá, ficamos sabendo do tamanho das bichas, e marcamos uma manhã para esse desafio.

Na abordagem com artificial rodamos o barco num grande rebojo, arremessando para praticamente todos os lados, plugs minnows de 13 a 15 cms são os mais eficientes para capturar a espécie. Embora tenhamos conseguindo excelentes exemplares, de até cerca de 7 kgs, as verdadeiras matrizes estavam a fim mesmo de um piau vivo, ou um pacuzinho.

Para os pescadores sem preconceitos, como nós, independente da técnica utilizada, o importante é o peixe na ponta da linha, e experimentar as mais diversas possibilidades, também completa uma grande jornada. Assim, antes mesmo de irmos para o “ponto”, pegamos alguns peixes na ceva da pousada, a tão famosa e eficaz “isca branca”. Iniciamos, como já relatamos com plugs, e guardamos nossos escassos piaus e um pacu para o momento que víssemos os rebojos das grandes caçando.

Para nossa sorte havia uma família de trabalhadores de uma fazenda próxima acampados as margens, e de pronto fizemos uma proposta de eles nos conseguirem alguns piaus, já que estavam de barranca, em troca de algumas latas de cerveja e refrigerante para as crianças.

Foi fundamental para nós essa interação, pois quando o nosso piau caiu na água, um bicho que nem me arrisco a chutar o tamanho grudou com tudo a isca viva, e olha que era um sr. Piau, de cerca de dois palmos.

Escolhemos anzóis maiores, entre 10 e 12/0, o que indica a nossa pretensão. Nas primeiras pegadas das cachorras, apanhamos um bocado delas, pois é preciso dar muita linha para ela comer o peixe, além de ter que ferrar com braços de aço, pois a sua boca dificulta muito a fisgada. Era a certeza de que ali tinha gigantes caçadoras.

Não demorou muito e acertamos a mão, e assim passamos a embarcar várias cachorras, uma maior que a outra, ao ponto de quando aparecia um exemplar de 10 kgs, Arthur dizia: nossa, essa é pequena, rsrs. Após ter perdido a que naquela momento seria a maior da minha vida, respirei e fui de novo, graças aos piaus dos amigos, pois nossa isca não durou três rodadas.

A recompensa veio com a maior cachorra larga que já tive a oportunidade de ver ao vivo, peixe bruto e sadio, com tomadas de linha dignas de um grande de couro. Acima de 30 libras, eu enfim tinha na minha mão a grande cachorra do Suiá, e aquela manhã reservada a elas tinha valido muito a pena, conquistamos muitas grandes vampiras amazônicas, um peixe que qualquer um amante da pesca  vai guardar para sempre na memória. Experimente você também a força desta espécie, será uma emoção inesquecível.

 

Texto: Guilherme Monteiro (Colaborador da Revista Pesca & Companhia e Pro Team Pesca Pinheiros)



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